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Nosso Diário – Fazendo o som que se ouve na cabeça

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Eder H. Martins no palco do Teatro Elis Regina, em São Bernardo do Campo.

“Pegar” o som que você ouve na sua cabeça e reproduzi-lo. Já li e ouvi, em entrevistas, grandes ídolos dizerem isto. Hoje, essa é a forma que gosto de trabalhar. Não só em relação a timbres, mas até mesmo arranjos, solos, etc.

A discussão sobre timbres, efeitos, instrumentos, marcas, grifes e ídolos é enorme e, muitas vezes, pode se tornar enfadonha, infinita e frustrante.

Me lembro, há pouco mais de 3 anos, quando recebi o convite para integrar a Echoes Pink Floyd São Paulo, que eu não tinha nem equipamento para encarar os shows que viriam. Naquela época, eu tinha uma guitarra, dois cabos e costumava tocar em casa usando softwares como Guitar Rig e Amplitube. Já havia passado por outras bandas, mas não tinha mais meus equipamentos.

Os primeiros shows, eu fiz com praticamente tudo emprestado. Um amigo, guitarrista de uma banda de tributo ao U2, me emprestou boa parte dos pedais de efeito e eu usava os amplificadores das Casas onde tocávamos. Um começo difícil, mas muito importante e decisivo para a construção da sonoridade que eu queria.

Basicamente, meu set de pedais era constituído de uma pedaleira multi efeitos da Zoom, um Compressor Boss, um pedal de drive da Boss e uma câmara de eco. Minha guitarra, uma Aria modelo strato, comprada em 2001, ainda era original. Com o tempo, fui substituindo os elementos da pedaleira, de forma a poder devolver os itens que eu havia emprestado do meu amigo. Por ter iniciado tudo de uma forma “híbrida”, misturando sistemas digitais com analógicos, tendo que substituir aos poucos, essa se tornou a maior característica do meu set. Me lembro que em um show pequeno, ch10888441_1067204663305019_873628454336089248_neguei a usar o Guitar Rig (software simulador de amplificador e efeitos) no palco, fazendo o papel de amplificador. Na minha guitarra de 2001, apenas poucas alterações e manutenções corriqueiras. Neste caso, tive o apoio do meu amigo Vitor Guerra, da Guerra Guitars, que fez a substituição de captadores e do braço, além de refazer a elétrica toda. Eu havia experimentado uma guitarra em uma edição da Expomusic e quis colocar um conjunto de captadores da Wilkinson, semelhante.

Nunca fui de fazer opção por marcas famosas ou por equipamentos iguais ao de meus ídolos. Sempre usei a experiência deles como base para desenvolver o meu próprio som, mesmo fazendo parte de uma banda de tributo. Na verdade, eu pretendia ter um equipamento todo digital, com software de edição que facilitasse o trabalho e me desse o máximo de versatilidade. Porém, o caminho se traçou de uma forma diferente e, hoje, considero isso parte da minha história e da minha identidade.

531087_618947868130703_269990201_nTocar com a mesma guitarra desde 2001, vendo ela se transformar, ganhar cicatrizes, marcas, manchas e quilometragem, só me faz ter, cada vez mais, certeza de quem eu sou realmente. No final, tudo se integra harmoniosamente, por que tudo nasceu junto. A descoberta do som que temos na nossa cabeça, aquele que ouvimos mesmo quando não tem música tocando, é um processo maravilhoso e divertido. Os sons produzidos pelos nossos ídolos são deles e nasceram com eles. Sigo as referências, mas não deixo de criar a minha história dentro do meu trabalho.

Por diversas vezes li e ouvi, de outros colegas, que o som está na inspiração, respiração e nas mãos de quem toca. Nem tudo é equipamento, marca e grife. Se ter o instrumento igual ao do seu ídolo o satisfaz, ótimo, siga em frente! Mas não deixe de construir sua história sobre ele. Tente se ver daqui quinze ou vinte anos, olhe para seu instrumento e se reconheça nele.

Eder H. Martins

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